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Campo artístico como "moradia" (Baseado na disciplina "Processos em Residência Artística"

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A imagem acima é uma anotação da primeira aula da disciplina "Processos em Residência Artística" da professora Cecília Mori no PPG-VIS UnB. A disciplina se propõe a pensar a residência como uma  saída da sua "morada" para adentrar outra morada. Comecei a pensar que para estruturar uma arte integrada é preciso que aqueles campos artísticos que não são familiares se tornem familiares. Por exemplo, para mim, o palco é minha casa, é fácil para mim criar neste espaço. A paisagem sonora do violino me é conhecida, criar nela é fácil. Para entrar em outra forma de criação preciso entrar em outra paisagem, outra morada, uma outra residência.  De uma forma quase poética gostaria de pensar os campos artísticos como viagens onde se pode conhecer novos horizontes.     Deixamos de ser quem somos quando vamos para outros mundos? Ou apenas resignificamos o que já sabemos? Para tocar como um ator eu precisei deixar de ser ator? Não, apenas aplicar os fundamentos já conhecidos em um ...

Tocar como um malabarista (ritmos e tempos com a Marcellinha)

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Hoje, após o ensaio de "Fragmentos de uma viagem de papel" estávamos conversando eu e Marcella Romar sobre a forma de composição do meio dos malabares. Ela comentou de uma oficina que ela ministra em que ela parte do corpo realizando ritmos em uma pulsação constante que evolui para uma partitura corporal e por último é adicionado o elemento malabarístico (objeto a ser malabariado). fiquei pensando que esta metodologia, esta forma de pensar composição, pode servir para a integralização dos campos artísticos da perspectiva do malabarista que adentra outros campos. Tomemos a música ou o tocar de um instrumento como exemplo: tocar envolve a realização de movimentos específicos (como o percutir de uma corda, por exemplo) dentro de uma pulsação constante variando ritmicamente a duração e intensidade desse movimento. Também no malabarismo há uma pulsação constante onde movimentos específicos (o jogar de uma bolinha por exemplo), são realizados ritmicamente variando duração e intensi...

Termo de registro de imagem

 Tenho que pedir para os participantes do laboratório assinarem um termo de permissão para registro para fica de pesquisa.  Escrever um modelo abaixo:

Algumas bibliografias de dança

 RENGEL, Lenira. Dicionário Laban. São Paulo: Annablume, 2003. LOBO, Lenora, NAVAS, Cássia. Arte da composição: teatro do movimento. Brasília: LGE Editora, 2008. MARTINS, Leda Maria. Performances do tempo espiralar.

Ideia de formato para a tese

 Em todos os capitulos ter um QRCode com um vídeo de uma aula performance explicando aquele capítulo.

Edição do Dramaturgias toda sobre a relação entre música e teatro

  https://periodicos.unb.br/index.php/dramaturgias/issue/view/733

Reflexões sobre a experiência - Jorge Larrosa

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Uma referência boa para o meu trabalho pode ser Jorge Larrosa no sentido de discutir um conhecimento experiencial. O teatro, ou o que quer que eu esteja propondo como laboratório, é uma prática experiencial. É necessário vivê-la, não basta ler livros ou ver vídeos para apreendê-la. Isso também fala da indefinibilidade do que se está fazendo, isto é, cada experiência será única e nenhuma teoria sobre ela poderá ser homogênea ou universal.     Uma reflexão que ele trás que me agrada é a de separar a experiência do experimento, isto é, definir experiência como algo que nos atravessa e nos transforma e não como uma prática de laboratório que pode ser repetida com as mesmas variáveis. O objetivo da experiência é nos fazer transcender de alguma forma a nossa existência, ressignificar os nossos sentidos de maneira a que a nossa vida seja diferente de agora em diante. Não se trata de apenas um experimento cênico. Isso corrobora com a minha proposta: imersão completa, pois não se trata...

Reflexões sobre a indefinibilidade do que é "teatro"

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  “É preciso, pois, admitir definitivamente que hoje em dia não pode existir teoria científica e globalizante do teatro. Apenas uma multiplicidade de abordagens teóricas diversas que se apliquem à prática do teatro pode circunvalar sua natureza, trazendo cada uma delas uma iluminação diferente, mas sempre limitada. (...) O tearo permanece um sistema flou , dificilmente definível” (FÉRAL, Josette. Além dos limites. p. 14) Tenho que ter sempre em mente que a minha pesquisa é um experimento único cujos desdobramentos teóricos não explicam nem direcionam outros processos criativos teatrais. A própria noção de teatro, segundo Féral, é fluida e de difícil definição, portanto, também o que eu faço tem sua indefinição. Já sei que não preciso definir com uma palavra específica o que eu faço, essa multiexpressão, esse rito por vezes catártico de expressão de estados afetivos por meio de ações de diversidade infinita. Quais ações são teatro e quais não? Uma pergunta impossível de responder j...

Referências sobre Kandinsky

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https://assincronias2025.blogspot.com/2025/04/materiais-kandinsky.html 1- PINTURAS DE KANDINSKY, ANO A ANO https://www.wassilykandinsky.net/ 2- FILMAGEM DE KANDINSKY PINTANDO https://youtu.be/Bc83deRcKMo?si=B2F7ve1Mxm5Cu12C Palestra sobre essa filmagem https://youtu.be/9HuPQXpmypk?si=uUxDAu5snr7Ges5k Texto da palestra  Kandinsky em Performance: Análise de cena do documentário Schaffende Hände (1926), de Hans Cürlis Link: https://www.academia.edu/42204699/Kandinsky_em_Performance_Ana_lise_de_cena_do_documenta_rio_Schaffende_Ha_nde_1926_de_Hans_Cu_rlis 3- NÚMERO ESPECIAL DA REVISTA DRAMATURGIAS SOBRE KANDINSKY LINK: https://periodicos.unb.br/index.php/dramaturgias/issue/view/1638 4- Sons Imaginados: Inscrevendo eventos acústicos em gravuras na obra “Poemas Sem Palavras” de Wassily Kandinsky LINK: https://www.portaleventos.mus.ufba.br/index.php/CBIM_RIdIM-BR/6cbim2021/paper/view/387 

Mais bibliografias...

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LOUPPE, Laurence. Poética da dança contemporânea . Lisboa: Orfeu Negro, 2012. MARTINS, L. M. Performances do tempo espiralar: poética do corpo-tela . Rio de Janeiro: Cobogó, 2021. PASSOS, Eduardo; KASTRUP, Virgínia; ESCÓSSIA, Liliana da (orgs.). Pistas do método da cartografia: pesquisa-intervenção e produção de subjetividade . Porto Alegre: Sulina, 2015.

Anotações de Seminário Avançado de Pesquisa em Artes Cênicas 2

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Enxergar os problemas é a qualidade mais importante do pesquisador. Nietzshe já criticava a valoração da obra de arte baseada no retorno financeiro que ela trás. Quem separou as disciplinas foi a modernidade: iniciando com Hegel em 1870. Ver os cursos de estética de Hegel em que ele explica esse processo. Colonização e modernidade são sinônimos. Portanto, será que a separação das disciplinas é um mecanismo de dominação? Dividir pra conquistar. PEDRÓN, Denise. O que é escrita performativa O conceito de comportamento pré-expressivo de Eugênio Barba pode ser interessante. Paidéia: A formação do homem grego. Fischer-Litche, Erika.  Estética do performativo  Qual é a contribuição que a minha pesquisa trás para o mundo? Para o estado da arte?

Anotações de Dramaturgias Cênicas

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  (Imagem retirada do site:  https://en.matteomascolo.com/post/kandinsky-and-the-dance-of-the-future ) Theoria é o movimento de sair da sua cidade, ir para outro cidade, observar e participar de uma atividade lá, voltar para a cidade de origem e relatar o que se viveu. O theorus era um embaixador. (essa abordagem eu gosto para introduzir as sessões teóricas da tese) O som é invisível, só conhecemos o som a partir do efeito deles Khorismos é o termo grego para a separação: corpo e alma, movimento e som, etc. A multidisciplinaridade na academia é louvada, mas na prática o que temos é a segmentação. Huguito na voz de Constantino: “Não existe nada de novo no teatro nos últimos 2500 anos, o novo é sempre a sua vontade e fé de fazer aquilo denovo”. Dramaturgo : Drama (ação) + Urgos (criador) = aquele que cria a ação. A noção audiovisual consiste no descentramento da palavra como foco principal da cena. Pensar Audiovisualmente é pensar a cena não em volta da palavra, mas...

Ideias após conversa com Márcia Duarte

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  Autodidatismo como metodologia por WO: como se trata de um hibridismo ainda pouco estruturado o autodidatismo pode servir como abordagem pedagógica. Audiovisual talvez seja um termo que precise ser revisto. Era uma terminologia preliminar. O ponto central não é exatamente o termo, mas expressar a necessidade de um princípio unificador dos diversos campos artísticos explorados. Som e movimento foram propostas iniciais. Uma outra possibilidade seria, por exemplo, pensar em composição de ações físicas. Se não sou músicista, mas compreender que cada nota nada mais é do que uma ação física e uma melodia é uma ação física seguida de outra teremos um não músico capaz de realizar uma música. A respiração também pode ser um elemento unificador.

Algumas anotações seminais da pesquisa

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[ ] Som e movimento [ ] Campo multiartistico [ ] Campo multi sensorial [ ] Corpo, movimento, sonoridade [ ] O que é formar atores com amplitude [ ] Fome de mundo que acaba numa cena ampla [ ] Filosofia Vivencial [ ] Criatividade em cena [ ] Música, movimento e palavra falada [ ] Som e movimento : [ ] Qual é o diferencial do hugo? [ ] É a união de todas as. Coisas [ ] Como é que se faz isso de unir? [ ] Porque que tem essa diaconexao entre as áreas [ ] Resumo : [ ] Analisar a base de dados buscando identificar a relação entre som e movimento e os mecanismos de como essa relação se dá. Como desenvolver no interprete a capacidade de união de tudo a partir do som e do movimento? E depois aplicar isso no TEAC de maneira a avaliar a aplicabilidade. [ ] Ritmo e dinamica no espetáculo teatral : Jacyan Castillo [ ] O grande lance é sair da música e ir pro som.

Reflexão e sobre a necessidade de entendimento da cena

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 "When traditional storytelling is abandoned, an essential aspect of theater is done away with. The purpose of eliminating narration is not to replace it with anything else; that would be impossible. Narration is simply erased as a generating or determining force. Confusingly, narrative stories may be present, but they are often just one or more elements along with or beneath the real message. But they are not the dominant carrier any longer. It is very difficult to discuss whether art has to be “understandable.” Incomprehensibility is often simply the blurring of the line between intention and pretension, between the magic of not telling everything (leaving room for the spectator’s fantasy) and a failure to communicate." (SALZMAN, Eric & DESI, Thomas. 2008. p.85)  Essa é a questão que me deparo quando faço improvisações: o entendimento lógico-narrativo da cena é necessário? Ou será que a arte da cena (ou do ator) pode refletir apenas emoções puras como a música instrumen...

Qual cultura alimenta a minha arte?

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 A forma teatral que produzimos é uma representação da sociedade e da cultura em que vivemos. Qual é a cultura que eu vivo? Qual é a sociedade que eu vivo? Em uma sociedade globalizada, na qual eu tenho acesso a tantas diferentes formas culturais, quais são as que influenciam o meu fazer?     Obviamente o Hugo é uma delas. A cultura brasiliense de teatro-dança. Também a música "experimental" ou até mesmo a clássica por meio das aulas na escola de música. A capoeira angola como comunidade, marcialidade, expressão e forma de ver o mundo. E o Dhamma, o ZEN, a ideia de que o fazer artístico é um caminho para a libertação e paz interiores. Também a atitude de auto-pesquisa contínua, de aprimoramento constante das minhas habilidades e vivências. E a cultura acadêmica, herança familiar e também institucional. Todas essas são embriões conceituais das influências culturais que me moldam.

Música sem teatro não é um conceito comum nas culturas humanas

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      "Contemporary music theater is also sometimes regarded as experimental music theater and is itself an experimental art form par excellence because, among other things, it offers new perspectives on what music is. Most cultures do not have a strong concept of pure music as separate from other arts and other aspects of human social life; many, perhaps most, musical cultures are therefore more or less theatrical. To invent music theater as an artistic experiment is only a way of reinventing the oldest forms of musical practice. In this sense, every new work of nontraditional music theater becomes an experiment in how music is used and even defined in a performance context" (SALZMAN, Eric & DESI, Thomas. 2008. p.52)      Isso corrobora a minha teoria junto com Kofi Agawu (2007) de que música e teatro são intimamente interligados desde os tempos primórdios. Nesse sentido o que estou propondo é de reassumir essa característica, rejeitando a tendência se...

Artista e Co-Artista: porque distinguir o som expressivo do não-expressivo

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O que me interessa na distinção que elaborei ente som expressivo e som não expressivo é a relação humana entre o artista e os seus co-artistas (isso também pode ser uma categoria interessante, vou falar dela mais adiante). O som não expressivo, isto é, o som que uma vez foi expressivo, mas que foi registrado e é produzido autonomamente por algum dispositivo tecnológico não biológico, não gera uma relação distanciada dos afetos entre artista e co-artista. Enquanto o que eu chamo de som expressivo necessariamente estabelece uma relação afetuosa entre todos os participantes do evento cultural em questão. Não se trata de fazer um juízo de valor entre as duas produções sonoras, mas sim de enfatizar uma escolha estética: escolher artifícios que promovam uma interação afetuosa compactuada entre os participantes do ato artístico independentemente se o seu papel é de proponente desse ato (os artistas) ou de comparsa (os que, tradicionalmente, foram chamados de espetadores). O esforço de integra...

Fichamento de "O TAO do Jeet Kune Do" de Bruce Lee

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Sinto que esse capítulo introdutório tem várias pérolas para a minha tese. Não apenas fundamentos que dizem respeito à não formatação (que, no meu caso, tem a ver com a não delimitação da atividade artística a um campo determinado), mas também a abordagens diversas sobre a busca artística e o fazer artístico. Conceitos como "a ação sem atuador" e a descoberta contínua são fundantes do pensamento que estou desenvolvendo. BRUCE, Lee. *O TAO do Jeet Kune Do*. Veneta: São Paulo, 2016.  __________________________ "Este livro é dedicado ao artista livre e criativo. Tome o que lhe for útil e desenvolva" (Epígrafe) "O que é mais flexível não se quebra" (p.19) "O importante é o realizar, não as realizações. Não há o ator, mas a ação. Não há aquele que experimenta, mas a experiência." (p.19) "A arte atinge seu pico quando se esvazia da consciência de si. A liberdade chega ao homem no momento em que ele deixa de pensar na impressão que causa, em como s...

Não faço teatro, faço circo.... ou será outra coisa?

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 Por 20 anos eu achei que eu fizesse teatro. Uma ilusão compreensível considerando que me formei no bacharelado em interpretação teatral, fundei uma companhia cujo nome do meio é "teatral" (Agrupação Teatral Amacaca) e passei os últimos 15 anos me apresentando em diversos espetáculos em espaços teatrais convencionais (palcos italianos fechados). Contudo, venho percebendo ao longo do tempo que a comunidade dos fazedores de teatro tem uma visão bastante restrita do que é o teatro. Essa visão é um resultado da separação dos campos artísticos em disciplinas especializadas que dificultam a classificação de produções artísticas híbridas.       Para a grande maioria da comunidade teatral, fazer teatro significa "atuar" preferencialmente falando um texto e tendo como base a construção de uma ou mais personagens. Evidentemente que o teatro pós-dramático possibilita que se faça teatro de diversas formas, porém continua sendo perceptível a dificuldade de classificação de u...

Epígrafe do Bruce Lee - é isso que eu quero para a minha tese

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 "Este livro é dedicado ao artista livre e criativo. Tome o que lhe for útil e desenvolva" (BRUCE, Lee. *O TAO do Jeet Kune Do*. Veneta: São Paulo, 2016. Epígrafe) "A arte nunca é decoração, ornamento. Ela é um trabalho de esclarescimento. A arte, em outras palavras, é uma técnica para adquirir liberdade" (p.20) 

Homo Ludens - Conceito talvez interessante

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HOMO LUDENS de Johan Huizinga pode ser uma referência importante para a pesquisa: Homo Ludens é um conceito desenvolvido pelo historiador e filósofo Johan Huizinga em seu livro homônimo, publicado em 1938. O termo, que significa “homem que joga”, propõe que o jogo é uma atividade fundamental na cultura humana, influenciando não apenas o entretenimento, mas também a arte, a religião e a vida social. Huizinga argumenta que o ato de jogar é uma forma de expressão que transcende a mera diversão, sendo uma parte essencial da experiência humana.

Duas citações sobre a multiplicidade dos artistas do teatro musical

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Do fichamento do artigo: REBELO E CARVALHO, Diogo. Multiperformance em espetáculos cênico-musicais - Reflexões sobre o papel do intérprete nas interfaces entre música e teatro e sua importância para o desenvolvimento e realização da obra no teatro amador. Disponível em:   https://seer.unirio.br/simpom/article/view/12484  “enquanto na ópera —e até mesmo na música vocal camerística5—os intérpretes tendem a ser mais especialistas, focando, sim, a atuação dramática, mas acima de tudo o canto, no teatro musical há uma preocupação —ou, atualmente, quase uma obrigação —em ser múltiplo, generalista, cantando, atuando, dançando, tocando instrumentos musicais, entre outros” (p.73) “Para Mervan-Roux, uma importante característica do teatro amador, é, ainda, o fato de, diferente do que acontece no teatro profissional, não apresentar uma separação social entre os artistas e o público, já que, em geral, é esperado que a maioria dos artistas de teatro amador se familiarize com as pessoas que...

Sobre a não separação dos campos artísticos quando da perspectiva do artista

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Se tentarmos definir com detalhamento os limites de cada campo artístico perceberemos o seu caráter arbitrário. Por exemplo, podemos dizer que a dança é a arte do movimento. Pois bem, então o que seria a música? Poderiam me dizer que é a arte do som. Contudo, como fazer som sem movimento? Ou então, como realizar qualquer movimento sem som? O musicista, para tocar seu instrumento necessariamente tem que dançar. Evidentemente que a sua dança tem um objetivo específico que não é o movimento em si, mas a sonoridade que aquele movimento provoca (isso não exclui os cantores, pois cantar movimenta diversas partes do corpo). Também para o ator temos a mesma dinâmica. Seria a arte do ator a "atuação", a "interpretação" ou "representação"? Em qualquer um dos casos acima seria necessário tanto mover-se quanto fazer sons para atuar, interpretar ou representar. Estaria o ator invadindo o campo da dança porque ele se move em cena? O fato é que, do ponto de vista de quem...

Matéria, Forma, Corporeidade e "Corpo-Obra-de-Arte"

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Reflexões sobre o texto:  ALMEIDA, Márcia. *Arte Coreográfica: plasticidade corporal e conhecimento sensível*. in: ALMEIDA, Márcia (org.) A cena em Foco: artes coreográficas em tempos líquidos. Editora IFB: Brasília, 2015. "Mais precisamente, discorrerei sobre a implicação dinâmica entre matéria (dançarino) e forma (movimentos dançados) da corporeidade. Primeiramente pelos afetos sensíveis da relação da pessoa com o ambiente. E, em segundo lugar, pela forma processada na execução da dança, na Arte Coreográfica, dada à corporeidade (a soma da matéria mais a forma) que se transforma em Corpo-Obra-de-Arte." (p.92-93) Achei bem interessante essa noção tanto de "Corpo-Obra-de-Arte" quanto a definição de corporeidade como a junção da matéria com a forma. Fiquei me perguntando como seria isso para a minha pesquisa, onde a matéria é o corpo do artista, mas também os objetos e instrumentos que ele manuseia e a forma é tanto o movimento quanto o som (seja ele provocado pela v...

Arte Não-liminar e Estado Alterado

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  "Por "espetacular" é necessário compreender um modo de ser, de se comportar, de se mover, de falar, de cantar e de se adornar que contrasta com as atividades banais da vida cotidiana ou que as enriquece e lhes dá sentido" (VELOSO, Graça, Pedagogias, cenas singulares, pluriepistemologias. p.54)      Essa é uma noção liminar de espetacularidade. Eu me interesso pelas artes não-liminares (termo que talvez eu esteja cunhando) isto é, artes que invadem a vida cotidiana a ponto de não haver mais diferença entre o modo de ser dentro ou fora da liminaridade. Um guerreiro é um guerreiro sempre (como Musashi tomando chá como um rude guerreiro), mesmo quando não está lutando. Para mim, ser um ator, dançarino, malabarista, artista ou músico (ou tudo ao mesmo tempo) é um modo de vida, é uma corporalidade que invade as atividades "banais" do meu cotidiano. E isso é um resultado do borramento de fronteiras disciplinares e artísticas. Quando borramos fronteira entre as ...

Algumas inspirações gerais para a pesquisa

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 Retiradas da aula de Etnocenologia do dia 28/08/2025 com o professor Graça Veloso. Escreva com afeto, com poesia, pesquisar com afeto. Minha trajetória na pesquisa é tão importante quanto os pesquisados. As regras são sempre as daquela manifestação específica. Como é isso para minha pesquisa? Será que criaremos um léxico próprio? Isso pode ser interessante: estruturar a tese conforme o que criarmos juntes. Deixar que os participantes criem o léxico e definam o que é que fazemos. É impossível ignorar uma realidade que em um capitalismo brutal por detrás de tudo. O QUE IMPORTA SÃO OS AFETOS. O doutorado é só um título.

Sobre definir o que eu faço. Será arte? Será vida? Será outra coisa? Será que precisa ser definido?

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As lucubrações a seguir foram inspiradas na leitura do texto "Etnocenologia, Manifesto".     Talvez o que eu faça não precise ser definido. Será teatro? Será circo? Performance? Criação? Poiesis? Não importa. Como o Dhamma, o que mais interessa é que os praticantes consigam entender os fundamentos do que se está fazendo. E quais são os objetivos de se aprender esses fundamentos. Para mim, os fundamentos são a técnica muscular revisada para incluir a prática sonora. E o objetivo é o desenvolvimento da obra final (não a produção artística, que para mim é apenas um subproduto, mas o desenvolvimento do ser humano que a pratica. A obra final não precisa ser categorizada, pois esta técnica pode ser usada para muitas finalidades artísticas ou não. Praticando esses fundamentos técnicos é possível criar obras teatrais, circences, danças, ritos, pinturas, criações de todo tipo e não apenas "obras", isto é, produtos artísticos. O desenvolvimento dessas práticas tem um objetivo...

Nada é mais importante do que minha trajetória singular e pessoal

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Pense rápido em um artista e depois na primeira memória que você tem de teatro.      Artista: Buda     Memória: com 7 anos de idade, eu, em uma peça do colégio onde se apresentavam os deuses do olimpo. Por acaso eu era Dionísio, com uma toga branca e um cacho de uvas. -------------------------------------------------------------------------------- Primeira aula de Etnocenologia. O companheiro de sabença, Graça Veloso fez algumas provocações interessantes:     Nada é mais importante para a minha pesquisa do que a minha trajetória singular Por isso eu escolho trabalhar com a Técnica Muscular. E essa trajetória é ficcionada a cada momento. Uma das ficções que eu criei foi a do Mestre que o Hugo representa para mim. E da ideia de tradição desta técnica que eu pretendo manter, desenvolver e passar adiante. -------------------------------------------------------------- Os critérios de avaliação da disciplina:

Reflexões sobre Capítulo II de Jorge Dubatti “O teatro dos Mortos”

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  Reflexões sobre Capítulo II de Jorge Dubatti “O teatro dos Mortos” Talvez seja melhor usar o termo Teatro em vem de Artes Cênicas afinal de contas. Também é um termo que me apaixona mais. Devo aceitar que as teorias que eu propuz são territorializadas. Por isso, o que faço também é uma cartografia do território específico de Brasília na tradição (que agora parece que começa a se estabelecer como uma tradição) da linguagem de Hugo Rodas. Ainda que essa linguagem não seja muito bem definida, ela de fato tem uma cara que é inconfundível: câmera lenta, fotos, espetacularidade, abordagem política da dramaturgia e visceralidade da performance teatral são apenas algumas das partes mais visíveis dessa tradição. Não tem nada de errado em formular teorias que são localizadas, que não são universais. Aliás, talvez seja desonesto tentar pensar em teorias universais uma vez que eu não tenho acesso à praxis teatral de outros lugares que não a minha experiência própria. Poiesis ...