Tocar como um malabarista (ritmos e tempos com a Marcellinha)


Hoje, após o ensaio de "Fragmentos de uma viagem de papel" estávamos conversando eu e Marcella Romar sobre a forma de composição do meio dos malabares. Ela comentou de uma oficina que ela ministra em que ela parte do corpo realizando ritmos em uma pulsação constante que evolui para uma partitura corporal e por último é adicionado o elemento malabarístico (objeto a ser malabariado).

fiquei pensando que esta metodologia, esta forma de pensar composição, pode servir para a integralização dos campos artísticos da perspectiva do malabarista que adentra outros campos. Tomemos a música ou o tocar de um instrumento como exemplo: tocar envolve a realização de movimentos específicos (como o percutir de uma corda, por exemplo) dentro de uma pulsação constante variando ritmicamente a duração e intensidade desse movimento. Também no malabarismo há uma pulsação constante onde movimentos específicos (o jogar de uma bolinha por exemplo), são realizados ritmicamente variando duração e intensidade desses movimentos. Um malabarista poderia, portanto, tocar um instrumento sem necessariamente se tornar um "musicista" no sentido mais tradicional da palavra (alguém que estuda seu instrumento como principal atividade expressiva de forma íntima e aprofundada). Bastaria substituir o movimento que ele está acostumado (jogar uma bolinha), pelo movimento específico daquele instrumento (percutir uma corda como no exemplo que estamos utilizando). Os fundamentos de movimento permanecem os mesmos o que atesta para uma corrente subjacente de metodologia composicional que pode ser aplicada em ambos os campos artísticos. 

O mesmo ocorre da música para o malabarismo: o ritmo, a pulsação, a duração, a intensidade, podem todos ser aplicados de maneira mais ou menos idêntica. A diferença está apenas na natureza do objeto a ser utilizado como meio expressivo e o vocabulário específico daquele objeto. No caso do instrumento as diversas notas musicais e suas combinações e no caso do malabarismo os truques e suas combinações.

Também o conceito de melodia e harmonia pode se aplicar ao malabarismo considerando melodia como a sucessão de notas o que no malabarismo seria uma sucessão de truques e harmonia como simultaneidade de notas correlatas à simultaneidade de truques.

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