Reflexões sobre a indefinibilidade do que é "teatro"
“É preciso, pois, admitir definitivamente que hoje em dia não pode existir teoria científica e globalizante do teatro. Apenas uma multiplicidade de abordagens teóricas diversas que se apliquem à prática do teatro pode circunvalar sua natureza, trazendo cada uma delas uma iluminação diferente, mas sempre limitada. (...) O tearo permanece um sistema flou, dificilmente definível” (FÉRAL, Josette. Além dos limites. p. 14)
Tenho que ter sempre em mente que a minha pesquisa é um experimento único cujos desdobramentos teóricos não explicam nem direcionam outros processos criativos teatrais. A própria noção de teatro, segundo Féral, é fluida e de difícil definição, portanto, também o que eu faço tem sua indefinição. Já sei que não preciso definir com uma palavra específica o que eu faço, essa multiexpressão, esse rito por vezes catártico de expressão de estados afetivos por meio de ações de diversidade infinita. Quais ações são teatro e quais não? Uma pergunta impossível de responder já que todas as ações podem ser teatrais em um contexto determinado. Ainda assim, a determinação de que contexto é esse permanece evasiva. Sendo assim, reitero a qualidade inominável da prática que proponho. Seus objetivos, no entanto, talvez sejam mais facilmente definíveis.
Que objetivos são estes?
- Expressão artística
- Liberação de emoções por meio do acesso a estados afetivos, o que poderíamos chamar de catarse
- Conexão com forças inomináveis decorrentes do ato de se colocar em cena. O que poderíamos chamar de "o espiritual na arte", para parafrasear Kandinsky, mas que, para um leitor mais cético poderia ser chamado de transe artístico.
- Construção de uma obra composta de partituras de som e movimento semi-reproduzíveis (pois nunca se pode reproduzir completamente uma obra presencial)
Outra referência que corrobora essa ideia é a de Adilson Florentino e Narciso Teles em seu Cartografias do ensino do teatro:
“O Teatro como um campo de conhecimento representa um terreno epistemologicamente conflitado, no qual diferentes teorias, tendências e práticas lutam pelo modo como a realidade teatral deve ser produzida, reproduzida, significada e, sobretudo, interpretada. (…) o problema não se situa na diversidade de paradigmas, mas na possibilidade de estabelecer critérios homogêneos de análise a respeito do conhecimento teatral ” p.9 (FLORENTINO, Adilson. TELES, Narciso (Orgs.). *Cartografias do ensino do teatro*. Uberlândia: EDUFU, 2009)
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