Abordagem não disciplinar ou apenas POIESIS

Seja qual for a abordagem laboratorial que irei fazer, será um processo experimental e gradual. Terei que deixar acontecer o que tiver que acontecer e analisar o que surgir sem preconcepções. 

Uma parte analítica será a interação entre os fundamentos de cada campo artístico:
  • Tocar como Ator
  • Tocar como Dançarino
  • Tocar como Malabarista
  • Atuar como Músico
  • Atuar como Dançarino
  • Atuar como Malabarista
  • Dançar como Músico
  • Dançar como Malabarista
  • Dançar com ator
  • Malabariar como Músico
  • Malabariar como Dançarino
  • Malabariar como Ator
Evidentemente que isso é uma proposta experimental. Não intenciono usar todos os fundamentos de cada campo artístico, pois isto seria uma pesquisa para a vida toda. Contudo, interessa-me encontrar pontos em que os fundamentos sejam intercambiáveis ao suficiente para serem traduzidos em exercícios práticos. O exemplo de pintar o som é uma forma didática de exemplificar esta abordagem, pois alguns parâmetros do som como intensidade, duração e altura podem ser facilmente transpostos para a pintura utilizando a teoria das forma de Kandinsky. (Respectivamente transpostos para Intensidade da pincelada, duração da exposição do pincel ao plano e cores)

Os fundamentos de cada campo artístico trabalhado podem ser esboçados assim:

Ator: Trabalha com os estados afetivos internos e exterioriza-os concientemente em seu próprio corpo de maneira a gerar uma reação empática no espectador (empatia pode ser de identificação ou de desidentificação) Em suma: o que o ator sentir interiormente, é isto que o público sentirá.

Músico: Combina os sons variando os seus 4 parâmetros de maneira a produzir um impacto emocional no espectador.

Dançarino: Combina movimentos variando os seus parâmetros de maneira a produzir um impacto visual no espectador.

Malabarista: Assinala unidades de tempo a cada movimento e, seguindo um pulso, interage ritmicamente com um ou mais objetos físicos. A combinação desses elementos costuma procurar demonstrar maravilhamento no espectador.


Algumas abordagens podem ser utilizadas ao meu ver:
  1. Realizar diversas atividades expressivas disciplinares sequencialmente. Isto seria uma abordagem multidisciplinar.
  2. Intercambiar os fundamentos de cada campo artístico. Isto é, explorar como que a aplicação do fundamento de um campo afeta e transforma o outro ajudando a criar um terceiro campo entre os dois. Isto seria uma abordagem interdisciplinar.
  3. Buscar fundamentos e/ou parâmetros que transcendem todos os campos artísticos de maneira a poder utilizá-los em qualquer ocasião. Isto seria uma abordagem transdisciplinar.
  4. Experimentar fazer tudo ao mesmo tempo como uma só atividade e deixar a poiesis se manifestar em um ato integrado. Para mim isto seria uma abordagem não disciplinar, isto é, apenas poiesis.



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