BATAILLE e BOURDIEU - Erotismo entre campos artísticos




 Tenho me inspirado em dois conceitos que me parecem basilares para a concepção de uma arte integrada:

O primeiro é a noção de campo de Pierre BOURDIER que se define como um espaço de luta na sociedade, uma luta por um poder simbólico de determinar quais signos representam melhor um determinado espaço social. Essa noção me parece interessante para definir o que é um campo artístico. Seria um espaço onde os participantes desta expressão determinam por meio de tensionamentos práticos e conceituais o que está dentro e o que está fora desta prática. A questão central aqui é a noção de que os limites desses campos não são estáticos, mas sim sempre sujeitos a tensionamentos e reconfigurações. Esses limites se moldam de acordo com os praticantes dessas expressões artísticas e as suas relações de pertencimento a determinados campos.

O segundo é a noção de erotismo de Georges BATAILLE. A relação erótica seria determinada por uma perda das fronteiras, uma dissolução do que entendemos como limite para se tornar permeável ao outro. Há nisso uma relação de criação (pois o erotismo origina vidas) assim como de morte (pois é preciso romper com um estado anterior para se relacionar eroticamente). 

Penso na arte integrada como uma relação erótica entre campos artísticos onde os signos de cada campo se tensionam não apenas incluindo signos pertencentes a outro campo, mas também gerado uma nova vida, um campo novo que contem seu próprio conjunto de signos e expressões. Não basta, contudo, criar uma nova categoria se ela for rígida e impermeável. O objetivo não é restringir, mas sim possibilitar a permeabilidade. O ato erótico, portanto, deve ser contínuo em uma arte integrada, sempre capaz de adotar um fundamento, expressar-se poieticamente com ele, e, quando esgotada a inspiração, deixá-lo morrer, pois, como em todo ato erótico, algo deve morrer eventualmente. "be water my friend" como já disse Bruce LEE, adapte-se, incorpore o que for útil, descarte o que for inútil, adicione o que lhe é particular e repita a equação. 

Esta é uma formula para a uma forma de expressão não estática, para uma constante pesquisa. Não se trata, portanto de uma interdisciplinaridade, nem mesmo de uma transdisciplinaridade (pois não estou buscando encontrar fundamentos que perpassem vários campos artísticos), mas sim de um borramento contínuo de fronteiras até que seja impossível definir qual é o nosso ofício, ou melhor, até que o nosso ofício seja apenas o da poiesis independentemente da forma que ela assuma para se expressar.


BOURDIEU, Pierre. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2012, p. 9.

BATAILLE, Georges. O erotismo.

LEE, Bruce. O TAO do Jeet Kune Dô.



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